(artigo escrito especialmente para o "JC E-Mail" e publicado em 20/junho/2000)

Academia Brasileira de Ciencias no seculo XXI

Maria Lucia Maciel
Depto. de Sociologia, Universidade de Brasília - UnB.

A Academia Brasileira de Ciencias (ABC) prepara-se para o novo seculo mostrando que captou as mensagens de uma sociedade civil preocupada com a etica na ciencia e com a responsabilidade social do cientista.

Na mesma semana em que formalizou a admissao - tardia - das ciencias sociais no ambito das ciencias, enfrentou uma maratona de debates e discussoes sobre a educacao no Brasil e qual deve ser o papel e a contribuicao da ABC na solucao dos problemas.

E' claro que causou uma certa extranheza o discurso de posse dos novos academicos nao ser pronunciado por um dos cientistas sociais, dado o acontecimento historico, e mais ainda o representante dos empossados mal ter mencionado a novidade. Mesmo assim, estao de parabens a Academia e todos os seus novos academicos.

No dia seguinte, foi impressionante a intensidade do esforco de abrir trilhas no emaranhado problema da educacao no Brasil. Pode-se sintetizar a discussao destacando aspectos negativos e positivos.

O lado mais sombrio revela-se nos diagnosticos. Feitos por academicos e por alguns convidados, mostram os rombos estruturais e as mazelas conjunturais de um retrato heterogeneo da educacao no Brasil.

Esmiucou-se nao apenas o quadro negro da educacao em geral, mas principalmente -- e detalhadamente -- problemas especificos relativos aas areas disciplinares.

Algumas constatacoes consensuais instigam a reflexao:

Algumas criticas menos consensuais soam como provocacoes -- no bom sentido, talvez; e' o caso da declaracao de Isaias Raw: "O educador nao tem competencia para discutir os rumos da educacao (...), so' a elite pensante" (Pergunto eu: so' a Academia?...)

Mas uma parte do emaranhado e' iluminada por experiencias inovadoras e intencoes promissoras.

Entre as experiencias que chamam atencao estao um programa exemplar da Estacao Ciencia dirigida a meninos de rua, um trabalho de Flavia Resende (UFRJ) com software educacional, o programa de "formacao de formadores" no Espaco Ciencia da UFPe e a "Oficina de Replicas" (USP) que constroi reproducoes de material geo-paleontologico e cartilha para uso em escolas.

A fala de Eduardo Krieger abrindo o painel de encerramento que discutiria o papel da ABC na educacao, concisa e objetiva, deu o tom das intervencoes seguintes.

Aa serie de propostas ja' discutidas internamente na ABC (participacao na definicao de conteudos curriculares; escolas tematicas; pagina na Internet com textos selecionados redigidos para o ensino medio por cientistas da ABC; esclarecimento ao publico sobre noticias cientificas publicadas nos meios de comunicacao; valorizar a dedicacao ao ensino nas Universidades, e nao so' a pesquisa), acrescentam-se agora outras ideias:

Fico por aqui, na esperanca de que a maratona da ABC sirva de desafio a todos nos e que nao tenha sido apenas uma oportunidade de arejar as boas intencoes dos nossos academicos.


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